O que fazer quando você se cansa do seu tema de pesquisa?

15 June 2015  |  Postado em Mundo Editorial Científico   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

sobrecarga_escritaEscrever uma tese ou dissertação é um trabalho longo, tão longo quanto escrever um livro, e que por isso requer muito foco e demanda disposição por parte dos pós-graduandos. Os desafios impostos por este estilo de escrita são muitos, visto que trate-se de produção de conhecimento num nível complexo, e como nem sempre se está inspirado, o desânimo muitas vezes bate à porta.  Às vezes ele bate até mesmo antes de se começar a escrever, ao final da parte da pesquisa, quando chega a hora de entrar de cabeça num trabalho que, já se sabe, durará bastante tempo. Nestas horas, o que fazer para não se perder em seu tema de pesquisa se convencer a superar os obstáculos seguir em frente? Confira algumas dicas a seguir.

Hora de dar um tempo

Do mesmo modo que pessoas “dão um tempo” em relacionamentos para refrescarem a cabeça, aliviar tensões e refletir melhor sobre a situação, você deve fazer o mesmo com a produção de seu manuscrito quando chegar num ponto de estafa. Afinal, a relação de pós-graduandos com a pesquisa é quase tão intensa quanto a de um relacionamento afetivo, com direito a muitos obstáculos, altos e baixos e necessidade de ajustes. Por isso uma crise nesse vínculo demanda reflexão e introspecção para que se possa depois voltar com as ideias mais organizadas. Você  pode se sentir culpado diante deste ideia e achar que perderá muito tempo fazendo uma pausa, mas de que serve continuar trabalhando sem foco e disposição? Pense que está parando para depois voltar à escrita de forma produtiva e use o tempo que estiver afastado do trabalho para realmente descansar e desligar-se temporariamente desta atividade. Assim como nossos músculos, após muito esforço nosso cérebro precisa de tempo para descansar e poder depois voltar à ativa ainda mais produtivo. Permita-se então fazer esta pausa necessária para voltar à escrita mais inspirado e empenhado depois.

Visualize a linha de chegada

Às vezes a certeza de que há muito trabalho pela frente traz a sensação de tédio e estagnação, fazendo você sentir-se preso e ampliar a dimensão dos problemas que surgem no caminho. Quando isso acontecer, procure visualizar a conclusão do trabalho e o retorno satisfatório que isso lhe trará. Ao longo do processo lembre-se as razões que fazem do trabalho que está realizando algo importante para você e, se sentir necessidade, faça uma pausa para retomar a motivação – como recomendado nas dicas do tópico anterior. Lembre-se que você só tem duas opções: prosseguir ou desistir da pós-graduação, e esta última implica em jogar fora o esforço já realizado até este ponto. Talvez você já esteja exausto, mas será que vale a pena desistir agora? Caso você tenha consciência de que o melhor é continuar, outra boa dica para inspirar-se é começar a planejar seu próximo projeto para trazer de volta à sua rotina a sensação de dinamismo causada por desafios estimulantes. Pense no que fará quando concluir o trabalho e em possíveis recompensas, como o reconhecimento profissional,  o desenvolvimento de novos e excitantes projetos ou o descanso em merecidas férias.

Mude sua rotina de escrita

Algo que pode ajudar muito é a organização de sua rotina de escrita a partir de objetivos mensuráveis. Muitas vezes a escrita de uma tese ou dissertação pode dar a impressão de um trabalho sem fim, o que tende a lhe desmotivar, por isso estabelecer metas diárias, semanais e mensais pode ajudar. Em quanto tempo acha viável produzir cada capítulo? Para isso, quantas horas deve trabalhar por semana? E quantas páginas deve escrever por dia? Obviamente não será possível cumprir estas metas com uma precisão industrial, visto que cada subtema abordado requer atenção específica e a argumentação sobre um tema pode demorar muito mais para ser desenvolvida que outras, a depender da complexidade do assunto. Mas as metas ao menos lhe darão uma noção de controle que pode ajudar a distribuir melhor seu tempo e a se sentir mais produtivo. Além disso, um calendário com o controle de metas batidas fará você sentir que está progredindo de forma concreta, o que ajuda a diminuir a tensão nos momentos de estafa e diante de outros problemas. E ainda que você ache que está progredindo de forma lenta, lembre-se que um progresso lento é melhor que nenhum progresso.

A escrita de uma tese ou dissertação testa muito mais seu equilíbrio mental que seu intelecto. Quando você se cansa de seu tema de pesquisa e se sente esgotado, é sua saúde mental que está a prova. Lembre-se que este equilíbrio é o diferencial entre aqueles que conseguiram concluir a pós-graduação e aqueles que ficaram pelo caminho, então cabe a você ponderar se tem condições de seguir em frente.

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