Em que casos abandonar a pós-graduação pode ser uma boa ideia?

03 December 2014  |  Postado em Mundo Editorial Científico   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

posgraduacaoNão é exatamente fácil ser aprovado num programa de pós-graduação. Além da concorrência, há o tempo investido para formular o trabalho de pesquisa que se pretende desenvolver ao longo do curso e o desgaste emocional do processo de seleção. Diante deste quadro, ser aprovado é sempre uma grande alegria, mas todo pesquisador aprende rápido que sua rotina é feita de desafios e às vezes a vontade de “jogar tudo por alto” bate à porta. Mas será que há alguma circunstância na qual o ato de abandonar a pós-graduação – após tanto esforço – pode ser considerada como uma boa decisão? Seja qual foi a carreira profissional escolhida, problemas sempre existirão –  e no mundo da pesquisa não é diferente -, mas quando é que os problemas se tornam insustentáveis e justificam o abandono?

Identificando a natureza do problema

Se você sente que está numa situação limite, prestes a desistir da obtenção de seu título de mestrado ou doutorado, o maior erro a cometer é se precipitar e tomar uma decisão da qual possa se arrepender. Por isso, antes de abandonar a pós-graduação, reflita se o problema que o levará a fazer isso realmente justifica a ação. A primeira pergunta a se fazer é: que problema está pressionando você a tomar essa decisão? Muitas vezes problemas não diretamente relacionados à rotina acadêmica podem fazer o pesquisador sentir-se desanimado, mas é importante separar os diferentes âmbitos da vida para depois não se arrepender. Se os problemas não forem diretamente ligados à sua pesquisa ou à sua rotina no curso de pós-graduação, procure resolver as coisas separadamente, de modo que seu trabalho não sofra com isso, e dê um tempo se for necessário e possível. Desabafar com seu orientador ou colegas pode ser uma boa opção para encontrar saídas viáveis para sua situação.

Qual o tamanho do problema?

E se o problema for referente à pesquisa ou a algo específico do programa de pós-graduação? Bem, nestes casos é preciso pesar a gravidade do problema. Como dito anteriormente, toda carreira é feita de desafios e os mesmos são presença constante na rotina de um pesquisador, fundamentais inclusive à sua caminhada. Se você sente que não está dando conta de suas demandas, pode tentar negociar com seu orientador ou com a coordenação da pós-graduação uma rotina manos atribulada (menor carga de disciplinas ou prazos mais extensos). Caso esteja com dificuldades nas disciplinas, uma alternativa é conversar com os professores que oferecem as mesmas para ver que bibliografia pode ser consultada para facilitar sua compreensão.

E se a sua desmotivação for causada por um “desencanto” com seu trabalho de pesquisa, saiba que este “casamento” não precisa ser para a vida toda e que você pode sim modificar o projeto que submeteu à pós-graduação no processo de seleção. Nestes casos, uma conversa franca e direta com seu orientador é de fundamental importância para que você faça a mudança do projeto com convicção e possa escolher um objeto e problema de pesquisa pelos quais realmente se interesse e dos quais seja capaz de dar conta em tempo hábil. O ideal é planejar bem essa mudança e já abordar seu orientador com outras propostas em mente para que a conversa sobre o assunto seja produtiva.

E se tudo falhar…

Mas se você sentir que o problema não tem solução – você não se encaixa bem na área de pesquisa escolhida ou não consegue se adaptar ao seu programa de pós-graduação – talvez o abandono seja a única opção viável. Ainda assim, antes de tomar a decisão final reflita bem sobre os prós e contras e converse com pessoas de sua confiança sobre o assunto para ter acesso a outros pontos de vista. Pensar num “plano B” para sua carreira também é importante para evitar que você não se sinta profissionalmente perdido após esta importante decisão.

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