Novos sistemas de busca de periódicos em bibliotecas e plataformas online

discovery-research-systemsQual o impacto dos novos sistemas de busca de bibliotecas (no caso, os Discovery Research Systems) e plataformas online no uso de periódicos online? A pergunta é fruto das mudanças nos hábitos de leitura de universitários e pesquisadores em função dos avanços tecnológicos vividos nos últimos anos. A dissociação – ao menos parcial – entre a noção de obra impressa e leitura foi acompanhada pelo decréscimo das idas à biblioteca e essas tiveram que criar formas de facilitar o acesso descentralizado de seus frequentadores através de novos sistemas de busca próprios e outras plataformas online.

O impacto dessa adaptação foi um dos temas discutidos na conferência anual organizada pela instituição sem fins lucrativos UKSG, que se propõe à troca de ideias na comunicação acadêmica. A mesa sobre o tema contou com quatro painéis e exibiu um cenário interessante cujas conclusões podem ser pensadas para o contexto acadêmico internacional como um todo.

Os dois primeiros trabalhos do painel – Discovery or Displacement?: A large-scale longitudinal study of the effect of discovery systems on online journal usage e o Impact of Library discovery technology – apresentaram pesquisas quantitativas num universo de 33 e 62 bibliotecas, respectivamente, na busca pela compreensão do impacto destes sistemas de busca na pesquisa de usuários (a primeira pesquisa focou-se nos sistemas Primo, Summon, EBSCO Discovery ServiceEDS e o WorldCat Local, enquanto a segunda teve uma abordagem não distintiva entre sistemas). Em geral, as bibliotecas relatam que os sistemas afetam a pesquisa de usuários de forma positiva, aumentando a demanda. Porém, no que concerne especificamente a periódicos online, a primeira pesquisa mostrou que o aumento da demanda por eles depende do sistema de buscas adotado pela biblioteca, enquanto a segunda pesquisa apontou que, enquanto em geral a demanda por e-books aumentou entre as bibliotecas pesquisadas, no caso dos periódicos online isso varia muito. Sobre seus resultados, o segundo estudo apontou como problemas ao acesso a necessidade de ajustes entre o sistema original da biblioteca e o novo sistema de busca adotado e as restrições das editoras ao processo temendo a diluição da marca na adequação de seus títulos às buscas do sistemas.

Já os dois últimos trabalhos do painel – Libraries in the cloud, on the ground and in between e Thinking the unthinkable: Doing away with the library catalogue – mostraram que os novos sistemas de busca por si mesmo não são uma solução ideal. O Libraries in the cloud concluiu que, mesmo replicando a semântica de sistemas de busca já familiares aos usuários, como o Google, sistemas de busca de bibliotecas não conseguem replicar a mesma experiência por não construírem em si o mesmo de tipo de autoridade de usuário. Ou seja: falta aos sistemas da bibliotecas inserir o usuário como autoridade importante em seu sistema de busca. E esse parece ter sido o diferencial do estudo de caso apresentado no trabalho Thinking the unthinkable, sobre a perda da centralidade do catálogo da biblioteca no universo de buscas. O trabalho analisou o caso da Universidade de Utrecht (Holanda), que ao dar-se conta da pouca imersão de seu sistema de buscas diante de sistemas já difundidos, como o Google Scholar, começou a orientar a comunidade acadêmica através de seus canais de redes sociais sobre como melhor utilizar sistemas de busca para fazer pesquisas sobre obras na biblioteca.

A ação aumentou bastante o número de pesquisas a partir do servidor da biblioteca Universidade de Utrecht, fato que sustenta a conclusão do trabalho sobre a necessidade de adequação das bibliotecas às práticas dos usuários para a além de sistemas que mantenham sua autoridade exclusiva no processo de buscas. O que se pode então concluir a partir dos resultados do trabalho do painel é que a maior ou menor relevância de um sistema de buscas ou plataforma online no universo das bibliotecas será determinada pelo esforço destas em melhor se adequarem às práticas já difundidas entre os frequentadores, valendo o mesmo para as editoras e instituições responsáveis por periódicos online.

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