Como cursar o doutorado sem bolsa e o impacto disso para o pesquisador

15 December 2014  |  Postado em Mundo Editorial Científico   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

bolsa de estudo_DoutoradoAbraçar a carreira acadêmica é uma decisão que demanda grande dedicação do pesquisador, especialmente na etapa de formação final, que é o doutorado. Nesta fase a imersão no universo da pesquisa é intensa, as cobranças por resultados são maiores e os desafios mais constantes. Em função de tudo isso, a dedicação exclusiva dos doutorandos pode ser considerada uma premissa fundamental para a realização de uma boa pesquisa ¬e é algo viabilizado pelas bolsas de estudo. Mas o que acontece caso seja preciso cursar o doutorado sem bolsa?

Há casos em que o doutorando já trabalha e possui uma renda maior que o valor da bolsa, optando por manter-se no trabalho, mas aqui trata-se de uma opção com a qual o pesquisador deverá arcar, dividindo seu tempo entre o trabalho e o estudo. Porém, a maioria dos casos de doutorado sem bolsa ocorrem em função da escassez deste recurso nos cursos de pós-graduação, o que não permite que todos os doutorandos tenham bolsa (ao menos num primeiro momento). Diante deste quadro, a primeira pergunta a ser feita é: quão importante é a experiência do doutorado para você e sua carreira no momento? Há quem se recuse a cursar o doutorado sem bolsa, realizando processos de seleção até que seja aprovado num programa de pós-graduação com mais disponibilidade de recursos. Mas para os que não querem desviar do caminho adiando o início do curso após a aprovação, é importante saber que é possível sim sobreviver ao doutorado sem bolsa e realizar uma pesquisa de qualidade.

Uma interessante matéria feita pela seção do The Guardian online dedicada a assuntos sobre cursos superiores colheu depoimentos de pesquisadores que decidiram encarar o desafio de cursar o doutorado sem bolsa e foram bem sucedidos. Obviamente os relatos não narram trajetórias fáceis, mas mostram como às vezes os desafios podem ser benéficos à formação do pesquisador se encarados de forma positiva e com dedicação.

Desafios e soluções

A principal queixa dos que cursam o doutorado sem bolsa é obviamente a necessidade de buscar uma atividade que lhes garanta o sustento ao longo do doutorado e que competirá em atenção com a pesquisa. Nestes casos, a melhor opção é certamente investir na carreira docente, uma vez que a mesma pode garantir certa flexibilidade de horários. Outro problema é a escassez de recursos para participar de eventos, que pode ser remediada pela participação em eventos locais e o maior investimento em publicações em periódicos para “engrossar” o currículo. Quanto à carga de atividades junto à pós-graduação, como disciplinas e frequência em grupos de pesquisa e outros eventos e reuniões, geralmente alunos que não são bolsitas podem negociar este aspecto junto à coordenação da pós, uma vez que não são doutorandos de dedicação exclusiva.

Algumas vantagens

Como diz o dito popular: “aquilo que não mata, fortalece”, e parece ser este o maior aprendizado dos pesquisadores que realizaram o doutorado sem bolsa e relataram suas histórias ao The Guardian. Um dos pontos mais presentes nos relatos é a necessidade de dominar melhor a própria pesquisa para explorar seus pontos mais fortes num contexto de recursos escassos. Alguns relataram também o aumento da produtividade, uma vez que diminuir o tempo do curso é uma opção para tornar o processo mais viável. Outros relataram aprendizados pessoais, como o desenvolvimento de maior capacidade de foco, realização e resiliência.
Um dos principais pontos presente nos relatos é que o desafio é grande e deve ser encarado apenas por aqueles que estão certos de seu propósito. Mas, ao final, fica a certeza de que os resultados compensam e de que o desafio de cursar o doutorado sem bolsa pode até mesmo contribuir para tornar o pesquisador mais habilidoso e consciente de seu trabalho, portanto, é uma possibilidade a ser considerada.

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