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Sala de aula virtual: Como todos podem tirar um proveito absoluto dessa nova norma

De repente, o mundo parou. Com a pandemia da Covid-19 e as recomendações de distanciamento social, dentre as primeiras medidas tomadas para prevenção do alastramento do vírus foi a suspensão de aulas presenciais. O Ministério da Educação (MEC) segue estendendo esse período de suspensão. Apesar da autorização oficial do MEC para ensino à distância (EaD) nas instituições de ensino superior, a grande maioria das instituições públicas em geral está com as aulas paradas devido à falta de recursos, tanto dos professores quanto dos alunos para fazer essa transição ao ensino virtual. Leia mais sobre a discussão do EaD e a inclusão digital aqui.

E agora, José? A Covid chegou…

Além do ensino, a pesquisa realizada nas universidades está quase parada e sem diretrizes de conduta, com exceção da pesquisa e de outras atividades de enfrentamento à pandemia. Por outro lado, a adesão a essa modalidade parece ser maior entre as instituições privadas.

Nesse contexto, enquanto a maior proporção dos estudantes de ensino superior do Brasil tem suas atividades suspensas por prazo aparentemente indeterminado, a parcela que migrou para o ensino à distância enfrenta os seus próprios desafios. Os professores tiveram que se adaptar rapidamente e aprender a explorar novas ferramentas, enquanto todos tentam lidar com os problemas técnicos básicos de conexão da internet, por exemplo. Além das questões técnicas, é necessário inventar novas maneiras de manter a dinâmica e o engajamento nesse novo ambiente.

Mas como adaptar as aulas assim de repente?

Para essa transição, é necessário o suporte das instituições, que devem disponibilizar recursos online e realizar pesquisas para compreender o acesso dos estudantes à tecnologia e o seu nível de conforto com ela. Não só os alunos, como também os professores precisam desse suporte. Aqui vão algumas dicas importantes para facilitar a transição para o ensino à distância:

  • Simplicidade e flexibilidade. Não é realista pensar que os professores poderão adaptar plenamente uma disciplina para ensino à distância em poucos dias. Assim como não é realista esperar que os estudantes terão todo o tempo do mundo para aprender. Então os objetivos devem ser estrategicamente reduzidos ao absolutamente necessário.
  • Não adiante pressupor que as pessoas têm acesso a tecnologia confiável ou compreendem bem as plataformas. Muitas vezes as pessoas não têm disponível uma boa internet e um bom computador. Então é necessário perguntar isso aos estudantes para construir estratégias que sejam acessíveis, além de prover suporte para que eles aprendam a explorar os recursos disponíveis.
  • Procure meios de construir uma comunidade online. É importante criar espaços para a conexão e colaboração entre os estudantes e professores.
  • Não tenha medo de explorar as mídias sociais. Você pode usar essas plataformas para interagir, aprender e obter novas ideias com colegas da área. Para professores universitários, há vários grupos e hashtags (#) sendo utilizadas para encontrar conteúdo e pessoas para ajudar nessa transição para a sala de aula virtual, como #KeepTeaching, #AcademicTwitter e #PandemicPedagogy.
  • Não perca do foco a visão geral ampla da educação. Seja online, seja pessoalmente, com ou sem pandemia, um bom ensino responde às necessidades específicas das pessoas no contexto atual. Os professores devem sempre reconhecer a dificuldade e a delicadeza desse momento. É importante abrir espaço para conversar mais leves de vez em quando para aliviar a tensão e oferecer informações não apenas sobre o conteúdo e os recursos de ensino, mas também sobre a saúde e bem-estar básicos.

Prós, contras e perspectivas

A pandemia nos forçou a explorar ferramentas que já existiam, mas que talvez não eram muito utilizadas. As salas de aula virtuais e videoconferências tendem a ser cada vez mais exploradas, principalmente agora depois desse empurrãozinho. Então é interessante observar algumas vantagens do uso dessas tecnologias sobre os encontros presenciais e como iremos continuar a explorar isso no futuro. Com as aulas virtuais, tanto professores quanto alunos não precisam se deslocar, o que representa uma economia de recursos financeiros destinados ao transporte e de tempo. Em grandes cidades, essa economia de tempo no deslocamento pode ser bastante expressiva. Outro ponto interessante quando as aulas são gravadas, e não ao vivo, é a flexibilidade de horários. Isso permite que o aluno possa coordenar a sua rotina de acordo com os horários preferenciais para estudo e com outras atividades de aprendizado ou de trabalho. É interessante ressaltar que as ferramentas online diminuem as barreiras geográficas e permitem acesso a informações e conexão com pessoas do mundo inteiro. Isso é interessante tanto do ponto de vista do ensino, como é fundamental do ponto de vista acadêmico. Ter acesso a seminários acadêmicos e discussões científicas com grandes nomes internacionais fica bastante facilitado com a disseminação das ferramentas online.

Mas obviamente nem tudo são flores. O ensino online tem os seus percalços. Ironicamente, o aprendizado à distância geralmente precisa de mais tempo e dedicação do que uma sala de aula tradicional. Além da diversidade de tarefas necessárias para o aluno do EaD, o que geralmente ocupa bastante tempo, é a própria comunicação com os professores e os colegas. É fácil visualizar que perguntas e discussões, por e-mail e fóruns virtuais, são bem mais demoradas do que presencialmente. Grande aliada do ensino à distância, a flexibilidade também pode representar um risco: as aulas online têm maior risco de procrastinação, dependendo das circunstâncias do aluno. Sendo bastante otimista, esse risco pode ser visto como uma oportunidade de desenvolver habilidades de disciplina e gestão do tempo. Por último, e bastante óbvio, o ensino à distância tem muito menos interações diretas (às vezes quase nada). Esse detalhe pode ter sido subestimado no passado recente. Mas hoje todos compreendemos a necessidade de contato social, e esse distanciamento pode favorecer uma sensação de isolamento para algumas pessoas. Por isso é necessário o professor consultar, sempre, as necessidades e dificuldades dos alunos e incentivar ainda mais as interações (mesmo que virtuais). Discutir mecanismos e recursos de suporte à saúde mental torna-se cada vez mais necessário.

Agora, será que essa exposição forçada e experimentação com tecnologias do EaD levará os professores e alunos a enxergar a educação online de maneira mais favorável? Ou não? O futuro dirá.

Leia aqui um artigo acadêmico muito interessante que discute o papel das mídias sociais e da gamificação no ensino à distância.

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