Os benefícios de publicar pesquisas de graduandos em periódicos

04 July 2014  |  Postado em O Mundo Acadêmico, Textos Acadêmicos   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

Pesquisas de GraduandosMuito se fala sobre a importância da publicação periódica de resultados de pesquisa por parte de pesquisadores doutores e pós-graduandos, sendo a quantidade e qualidade dos periódicos onde estes trabalhos são publicadas fundamental para que estes pesquisadores se destaquem em suas áreas e avancem profissionalmente. Mas o que ainda se discute pouco é a importância do incentivo à criação e manutenção de espaços para divulgação de pesquisas de graduandos; um grande equívoco, por sinal.

O principal equívoco está no fato de não se levar em conta que, quanto mais cedo em sua trajetória acadêmica um pesquisador é inserido no processo de produção de conhecimento, mais cedo ele poderá vir a dar contribuições relevantes à sua área. Com isso não se quer dizer que graduandos devam criar a rotina de publicar em periódico com a mesma frequência que pesquisadores mais maduros, nem que se deve esperar que tais trabalhos tenham o mesmo impacto que as pesquisas destes últimos, mas é necessário começar de algum lugar.

Embora no Brasil não sejam comuns nas universidades periódicos internos voltados às pesquisas de graduandos, como acontece em países como os Estados Unidos, existem alguns exemplos de periódicos online que aceitam trabalhos de iniciação científica, caso do ICCEEg – Revista Jr de Iniciação Científica em Ciências Exatas e Engenharia e da Revista Anagrama – Revista Científica Interdisciplinar da Graduação. Mas além do estímulo a publicar individualmente seus resultados de pesquisa, é fundamental que o graduando possa experimentar a pesquisa também como um fazer coletivo, daí a importância da inserção em grupos de pesquisa e das parcerias.

Um grande incentivo às pesquisas de graduandos no contexto brasileiro são as bolsas de iniciação científica oferecidas pelo CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Além da remuneração, que diminui o conflito do graduando em dedicar-se a uma atividade de pesquisa ou a um estágio profissional externo remunerado, estas bolsas vinculam os graduandos a pesquisadores qualificados que lhes ajudarão a dar os primeiros passos no mundo acadêmico, incluindo a prestação de contas da pesquisa realizada. O principal espaço desta prestação de contas são os seminários de bolsistas de iniciação científica que costumam acontecer anualmente nas universidades.

Em muitos casos, os bolsistas de iniciação científica entram em contato com pesquisadores mais maduros em grupos de pesquisa organizados por seu orientador e nestes núcleos aprendem na prática as particularidades do fazer científico, além de terem acesso a pesquisas mais avançadas e afins à sua, que podem lhe servir como fonte futuramente. Nos grupos de pesquisa o graduando pode ainda participar de artigos escritos coletivamente e assim ter a chance de publicar em periódico junto a outros pesquisadores, não precisando se restringir ao reduzido número de publicações que aceitam trabalhos de iniciação científica. Sobre este aspecto, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Ciência da Informação da UnB com dados colhidos entre 2005 e 2009 revelou que quase um terço dos artigos com mais de um autor publicados em revistas brasileiras de Arquivologia, Ciência da Informação, Biblioteconomia, Documentação e Museologia têm origem em trabalhos de conclusão de curso ou iniciação científica, superando o número de doutorandos coautores. Para explicar tal fenômeno, uma das hipóteses defendidas pelo orientador do estudo, Jayme Leiro, é a intensificação das políticas de iniciação científica dos últimos anos.

Mas os benefícios do incentivo à produção científica de graduandos não se restringe apenas a aos próprios. Para orientadores e instituições de ensino o fortalecimento da iniciação científica cria a oportunidade de preparar os alunos que podem vir a ingressar na pós-graduação da universidade e futuramente dar contribuições valiosas à instituição e mesmo às pesquisas realizadas por seus orientadores. Logo, é um investimento fundamental à garantia da renovação salutar do ciclo acadêmico.

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