Prós e contras e de ser um pesquisador multitarefa

multitaskMultitarefa é uma pessoa capaz de realizar várias atividades ao mesmo tempo, uma habilidade que parece cada vez mais valorizada na atualidade diante da agitada rotina da maioria das pessoas. Mas afinal, ser uma pessoa multitarefa é um talento inato, uma habilidade a ser desenvolvida ou um problema a ser resolvido? Na verdade, nem a Ciência bateu o martelo sobre isso. Enquanto algumas pesquisas mostram que ser multitarefa é uma habilidade que só se manifesta plenamente em poucos, há estudos que afirmam que realizar mais de uma atividade ao mesmo tempo diminui a capacidade de atenção e, por isso, a produtividade e qualidade dos resultados obtidos. Mas há ainda outros estudos que dizem que tudo depende das atividades que se realiza simultaneamente. Por isso mesmo, o melhor caminho é saber o que se perde e o que se ganha sendo multitarefa, algo que algumas considerações pode até mesmo ser conciliando com a atividade de pesquisador.

Possíveis danos

Como dito anteriormente, a Ciência ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre a capacidade humana de realmente realizar mais de uma atividade ao mesmo tempo com excelência. Um estudo recente realizado pela Stanford University mostrou, no entanto, que ser multitarefa e realizar atividades com qualidade são coisas que parecem nunca caminhar juntas. Segundo o estudo, uma vez que o cérebro é obrigado a dividir sua atenção, inevitavelmente o individuo torna-se mais lento e seu rendimento cai. Já outro estudo na University of London mostrou que realizar mais de uma atividade provoca o efeito cognitivo de uma espécie de queda do QI, fazendo com que a pessoa não empregue de fato todo seu potencial intelectual na realização das atividades. Um estudo da University of Sussex, por sua vez, indicou que existe a possibilidade de que a realização constante de várias atividades ao mesmo tempo cause, ao longo do tempo, danos permanentes a uma área do  cérebro ligada ao controle emocional e cognitivo.

Conciliando tarefas

O cenário para o “multitarefismo” não é mesmo dos mais promissores, mas calma: a moderação é sempre bem vinda e deve ser ponderada na hora de tomar qualquer decisão. Os estudos – principalmente o da University of Sussex, o mais polêmico de todos, por assim dizer – não são definitivos, e, embora dividir a atenção entre mais de uma atividade não pareça ser o ideal, particularmente na rotina de um pesquisador, é possível conciliar algumas coisas.

Levando-se em consideração que às vezes fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo não é uma opção, mas uma necessidade, uma dica importante para quem se arrisca em ser multitarefa – ainda que eventualmente – é evitar realizar atividades que compitam entre si. Isso deve ser mais enfatizado ainda no caso do pesquisador, uma vez que atividades de pesquisa demandam uma atenção particular. A noção de atividades que competem entre si pode variar a depender do tipo de atividade realizada e da cognição de cada indivíduo, já que o nível de capacidade de concentração varia entre as pessoas. Portanto, se você observar que sua tarefa secundária está dificultando sua concentração em sua atividade de pesquisa, deixe-a de lado. Isso se aplica também a atividades de lazer que o pesquisador possa vir a realizar durante a atividade de pesquisa, como ouvir música ou conversar com alguém através de algum aplicativo ou telefone. Enquanto essas atividades talvez convivam bem com uma fase inicial de coleta de dados ou informações, podem competir com a atenção na hora da escrita de um artigo, por exemplo, e aí vale deixar o “multitarefismo” de lado e focar numa atividade só. No mais, quanto mais importante e complexa for a atividade a ser realizada, convém dedicar a ela toda atenção e fazer cada coisa a seu turno.

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