Cuidado com as revistas e editoras predadoras

O modelo de publicação de acesso livre tem dado origem a um grande número de novos editores online. Muitos destes editores são corruptos e só desejam ganhar dinheiro com as taxas de processamento que são cobradas dos autores após a aceitação de seus manuscritos científicos.

Os primeiros experimentos com publicações de acesso livre foram muito promissores. Criados há mais de uma década, eles ajudaram a inspirar um movimento social que mudou publicação acadêmica para melhor, reduzindo custos e permitindo acesso mundial a inúmeras pesquisas. Entretanto, com isso vieram também os editores predatórios, que publicam revistas falsificadas para explorar o modelo de acesso livre, no qual o autor paga.

Estas editoras predadoras são desonestas e seus processos de publicação não possuem transparência. Eles visam enganar os pesquisadores, especialmente aqueles inexperientes na comunidade científica. Eles montaram sites que se assemelham aos de editoras on-line legítimas e publicam revistas de qualidade questionável. Muitos fingem ter sede nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá ou Austrália, mas na verdade estão localizados no Paquistão, Índia ou Nigéria.

Algumas editoras predadoras enviam spams para pesquisadores solicitando manuscritos, mas deixando de mencionar a taxa requerida para publicação. Mais tarde, após o trabalho ser aceito e publicado, os autores são cobrados de taxas abusivas, que giram em torno de US$ 1.800 (hum mil e oitocentos dólares).

Para proteger os pesquisadores de tais editores, foi criada uma lista de periódicos questionáveis que é atualizada todos os anos. É recomendado que pesquisadores, cientistas e acadêmicos evitem fazer negócios com essas editoras e revistas. Estudiosos devem evitar o envio de submissões de artigos para elas. Além disso, os comitês de posse e de promoção devem ter atenção extra para artigos publicados nessas revistas, pois muitos deles incluem casos de má conduta de pesquisa.

Com o passar dos anos, o número de revistas predatórias cresceu assustadoramente, conforme tabela abaixo:

Ano

Número de editoras predatórias

2011

18

2012

23

2013

225

2014

477

Entretanto, é importante ter consciência que tal situação está ocorrendo apenas porque o cenário acadêmico encontra-se em uma situação crítica. Para resolver esse problema, os pesquisadores devem resistir à tentação de publicar rapidamente e facilmente. A comunidade científica precisa usar as redes sociais acadêmicas para identificar e compartilhar informações sobre as editoras que enganam e que possuem falta de transparência ou que, de alguma forma, deixam de seguir os padrões da indústria.

A “alfabetização científica” deve incluir a capacidade de reconhecer fraudes e as bibliotecas devem remover editoras predatórias de seus catálogos on-line. Os piores criminosos normalmente podem ser descobertos sem muito esforço: os seus sites estão cheios de erros gramaticais e com informações de contato falsas.

Há muitas revistas de alta qualidade disponíveis para os pesquisadores publicarem seus trabalhos, incluindo muitas que não cobram taxas de processamento. Basta ao pesquisador se informar claramente sobre a revista científica na qual quer publicar e não querer pegar atalhos, para “o barato não sair caro”.

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