Pesquisa conceitual ou empírica: qual é o melhor?

27 April 2019  |  Postado em Manuscript & Grants, Reporting Research   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

A pesquisa científica costuma ser dividida em duas classes: pesquisa conceitual e pesquisa empírica. Antigamente, essas classes tinham maneiras distintas de fazer pesquisa e um pesquisador tinha orgulho de se dizer de um tipo ou do outro, elogiando o seu método e desprezando o outro. Entretanto, hoje, essa distinção não é mais tão clara.

Pesquisa conceitual: caneta e papel

A pesquisa conceitual concentra-se no conceito ou teoria que explica ou descreve o fenômeno a ser estudado. O que causa uma doença? Como podemos descrever os movimentos dos planetas? Quais são os blocos de construção da matéria? O pesquisador conceitual senta-se à mesa com uma caneta na mão e tenta resolver esses problemas pensando neles. Ele não faz experimentos, mas pode fazer uso das observações de outros, já que essa é a massa de dados que ele está tentando entender. Até muito recentemente, a pesquisa conceitual era considerada a forma mais honrosa de pesquisa – exigia o uso do cérebro, não das mãos. Pesquisadores como os alquimistas, que faziam experimentos, eram considerados pouco melhores que ferreiros — “empiristas imundos”.

Pesquisa empírica: sujando suas mãos

Apesar de todo o seu alto status, os pesquisadores conceituais produziam regularmente teorias erradas. Aristóteles ensinava que grandes balas de canhão caíam na terra mais rapidamente do que as pequenas e muitas gerações de professores repetiram seus ensinamentos, até que Galileu provou que estavam errados. Galileu era um empirista do melhor tipo, que fazia experimentos originais não só para destruir antigas teorias, mas para fornecer a base de novas teorias. Houve uma reação contra os teóricos da torre de marfim, que atingiu seu auge com alguns que afirmavam não terem utilidade para a teoria, argumentando que a aquisição empírica de conhecimento era o único caminho para a verdade. Um empirista puro iria simplesmente representar dados em gráficos e ver se eles tinham uma relação linear direta entre as variáveis. Se tivessem, o pesquisador tinha um bom relacionamento “empírico” que faria previsões úteis. A teoria por trás daquela correlação era irrelevante.

Conceptual-vs.-Empirical-Research

O método científico: um pouco das duas coisas

O método científico moderno é, na verdade, uma combinação de pesquisa empírica e conceitual. Usando dados experimentais conhecidos, um cientista formula uma hipótese de trabalho para explicar algum aspecto da natureza. Ele então faz novos experimentos, projetados para testar previsões da teoria, para apoiá-la ou refutá-la. Einstein é muito citado como exemplo de um pesquisador conceitual, mas ele baseou suas teorias em observações experimentais e propôs experimentos, reais e imaginados, para testar suas teorias. Por outro lado, Edison costuma ser considerado um empirista, chamando-se “método Edisoniano” uma expressão de tentativa e erro. Entretanto, Edison valorizava o trabalho dos teóricos e contratou alguns dos melhores. A triagem aleatória de inúmeras possibilidades ainda é valiosa: as empresas farmacêuticas que procuram novas drogas fazem isso, às vezes com grande sucesso. Pessoalmente, eu costumo ser um semi-empirista. Na pós-graduação, usei a relação de energia livre linear de Hammett (uma equação semi-empírica) para obter informações sobre os estados de transição química. Então, não discuto sobre a “pesquisa conceitual versus a pesquisa empírica”. Existe toda uma gama de possibilidades entre as duas formas e todas elas têm sua utilidade.

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