{"id":1070,"date":"2014-06-04T14:19:24","date_gmt":"2014-06-04T14:19:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.enago.com.br\/blog\/?p=1070"},"modified":"2020-03-04T12:03:44","modified_gmt":"2020-03-04T12:03:44","slug":"publicacao-academica-direitos-autorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/publicacao-academica-direitos-autorais\/","title":{"rendered":"Ren\u00fancia de Direitos Autorais na Publica\u00e7\u00e3o Acad\u00eamica Preocupa"},"content":{"rendered":"<p>A pol\u00eamica sobre a ren\u00fancia de direitos autorais no universo da publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica foi recentemente levantada por um artigo publicado em abril de 2014 no site do <a class=\"text-link\" style=\"border-bottom: none!important;\" href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2014\/04\/07\/us\/academic-publishing-waiver-raises-concern.html?_r=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The New York Times<\/a>. O ponto de partida da mat\u00e9ria \u00e9 uma cr\u00edtica p\u00fablica com tom de den\u00fancia feita por Kevin Smith, diretor do departamento de direitos autorais e comunica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica da Duke Univertity, nos Estados Unidos. Smith critica e demonstra receio em rela\u00e7\u00e3o a uma cl\u00e1usula imposta a autores que submetem seus trabalhos para serem publicados pela <a class=\"text-link\" style=\"border-bottom: none!important;\" title=\"Nature Publishing Group\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Nature Publishing Group<\/i><\/a>, segundo a qual, o autor deve abrir m\u00e3o dos direitos morais sobre sua obra \u2013 e em pa\u00edses onde essa pr\u00e1tica n\u00e3o seja legal o mesmo deve comprometer-se contratualmente a n\u00e3o reivindic\u00e1-las no futuro.<\/p>\n<div id=\"om-ip4ifef5zsek0u4xs4wb-holder\"><\/div>\n<p><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/a.opmnstr.com\/app\/js\/api.min.js\" data-campaign=\"ip4ifef5zsek0u4xs4wb\" data-user=\"41855\" async><\/script><\/p>\n<p>Os direitos autorais s\u00e3o divididos em direitos morais e direitos patrimoniais. Os patrimoniais referem-se \u00e0 explora\u00e7\u00e3o comercial da obra e os morais referem-se \u00e0 autoria intelectual em si, como ter o nome associado \u00e0 obra e controle sobre sua manipula\u00e7\u00e3o. Em pa\u00edses como o Brasil, os direitos autorais \u2013 aqui institu\u00eddos pela Lei Autoral \u2013 contemplam aqueles patrimoniais e morais, sendo estes \u00faltimos inalien\u00e1veis e irrenunci\u00e1veis. J\u00e1 em pa\u00edses como os Estados Unidos os direitos autorais s\u00e3o mais abrangentemente determinados pelo <i>copyright<\/i> (direito de reprodu\u00e7\u00e3o), e contemplam apenas os direitos patrimoniais. Embora a negocia\u00e7\u00e3o mediante contrato dos direitos patrimoniais entre o autor e terceiros seja pr\u00e1tica comum, o mesmo n\u00e3o ocorre com os direitos morais, e a pr\u00e1tica chega at\u00e9 mesmo a ser proibida em alguns pa\u00edses, como ocorre no Brasil. E h\u00e1 uma raz\u00e3o para isso: abrir m\u00e3o dos direitos morais pode significar abrir m\u00e3o da pr\u00f3pria autoria e da integridade da obra original, a depender da extens\u00e3o das cl\u00e1usulas contratuais. Ao criticar a cl\u00e1usula da <i>Nature<\/i> Smith chama a aten\u00e7\u00e3o para as consequ\u00eancias extremas de abrir-se m\u00e3o dos direitos morais, uma vez que o autor poderia perder direito de autoria sobre suas descobertas cient\u00edficas, sendo estas seu maior legado profissional.<\/p>\n<p>Do outro lado, a porta-voz da <i>Nature Publishing Group<\/i>, Grace Baynes, alega que o principal car\u00e1ter da referida cl\u00e1usula \u00e9 preventivo, visto que a mesma s\u00f3 \u00e9 acionada caso os editores entendam que s\u00e3o necess\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es na obra para melhorar sua qualidade e o autor n\u00e3o esteja de acordo com as mesmas. Esta seria, no entanto, uma medida extrema, caso negocia\u00e7\u00f5es que levem a um consenso com o autor n\u00e3o surtam efeito. Baynes ainda enfatiza que, em momento algum, obras foram publicadas sem terem sido atribu\u00eddas a seus respectivos autores.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das quest\u00f5es levantadas por Smith sobre o perigo da n\u00e3o atribui\u00e7\u00e3o devida das obras a seus autores, as implica\u00e7\u00f5es da ren\u00fancia da autoria no universo da publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica s\u00e3o complexas e podem comprometer o princ\u00edpio do ato de fazer pesquisa. Pesquisadores se debru\u00e7am sobre seus projetos a fim de oferecer contribui\u00e7\u00f5es valiosas a seu campo e isso se d\u00e1 atrav\u00e9s dos resultados obtidos ao longo da pesquisa. Ainda que a <i>Nature<\/i> ou qualquer outra publica\u00e7\u00e3o queira tomar para si o direito de alterar a obra em benef\u00edcio da qualidade da apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados, como definir a extens\u00e3o destas mudan\u00e7as quando feitas sem concord\u00e2ncia do autor? At\u00e9 que ponto pode-se dizer que a obra modificada sem permiss\u00e3o do autor \u00e9 realmente capaz de refletir a contribui\u00e7\u00e3o real dada? Resumindo: como garantir a manuten\u00e7\u00e3o da integridade original dos resultados e da pr\u00f3pria autoria abrindo-se m\u00e3o completamente dos direitos morais sobre a obra? O fato de a legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o permitir a ren\u00fancia dos direitos morais por parte do autor torna mais dif\u00edcil a difus\u00e3o de tal pr\u00e1tica no contexto nacional, mas diante do contexto globalizado no qual as pesquisas encontram-se imersas, \u00e9 importante estar atento aos poss\u00edveis desdobramentos desta discuss\u00e3o e suas consequ\u00eancias para as publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas em geral.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pol\u00eamica sobre a ren\u00fancia de direitos autorais no universo da publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica foi recentemente [&hellip;]<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":8199,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"om_disable_all_campaigns":false,"footnotes":""},"categories":[36,27],"tags":[692],"class_list":["post-1070","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-understanding-ethics","category-publishing-research","tag-copyright-infringement"],"acf":[],"single_webinar_page_date":null,"single_webinar_page_time":null,"session_agenda":null,"who_should_attend_this_session":null,"about_the_speaker_field":null,"co-webinar-sec":null,"co_webinar_sec_one":null,"speaker-name":null,"webinar-date":null,"webinar-time":null,"webinar-s-image":null,"custum_webinar_category":null,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8199"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1070"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5432,"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1070\/revisions\/5432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.enago.com\/academy\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}