#cientifico Archives - Enago Academy Brazil https://www.enago.com/academy/br Tue, 25 Jan 2022 15:35:44 +0000 en-US hourly 1 5 dicas eficazes para pesquisadores fugirem do ghostwriting https://www.enago.com/academy/br/5-ways-avoid-ghostwriting/ https://www.enago.com/academy/br/5-ways-avoid-ghostwriting/#respond Fri, 14 Jan 2022 10:08:40 +0000 https://www.enago.com/academy/br/?p=33163 This article is also available in: English, Turkish, Spanish, and Russian

A comunicação científica depende de confiança. Você deveria confiar no que lê em periódicos para planejar experimentos e para tomar uma decisão em relação ao uso de um medicamento, por exemplo. Integridade pessoal e responsabilidade profissional garantem a autoria em periódicos. No entanto, problemas recentes como ghostwriters e guest authors quebram essa confiança e prejudicam a integridade de todo o sistema de publicação acadêmica.

Um ghostwriter é um escritor profissional que produz trabalhos pelos quais não receberá crédito. Ele permanece anônimo, ou seja, um escritor fantasma. Sua existência está relacionada com a necessidade da conversão de dados brutos em documentos que sejam compreensíveis para o leitor. Ghostwriting é uma prática comum em várias atividades profissionais e artísticas. A escrita da autobiografia de um artista, discursos públicos lidos por presidentes e artigos para blogs de terceiros são exemplos de escrita fantasma. Há algo errado nisso? Não! Mas e quando entramos na área científica?

Para a comunidade científica, a “autoria fantasma” é considerada antiética. Seu oposto, a “autoria convidada”, ocorre quando a contribuição do autor nomeado não é significativa para o trabalho, e também é uma prática prejudicial. Ambos podem ocorrer em situações puramente acadêmicas, onde o supervisor da pesquisa é incluído como autor, independentemente da sua contribuição. Ou ainda quando a redação de manuscritos é solicitada a recém-acadêmicos por um pesquisador superior, que é indicado como primeiro autor. No entanto, o uso do ghostwriter parece ser mais frequente quando há colaboração com a indústria.

Por que a escrita fantasma é antiética na área científica? Um ghostwriter pode ser contratado por empresas farmacêuticas para preparar um manuscrito tendencioso, mencionando apenas o que a empresa deseja expor sobre o medicamento estudado, que é encaminhado a um cientista renomado na área. Após a edição, o cientista então envia o manuscrito para um periódico com alto fator de impacto. Muitas vezes o autor cujo nome aparece no artigo não tem acesso aos dados clínicos para análise, apenas participando depois que decisões importantes já foram tomadas, como quais análises incluir e quais conclusões divulgar. Ele pode nem estar ciente do financiamento de ghostwriters por parte da empresa. Em casos mais graves, podem receber incentivos para endossar artigos sem estar familiarizado com os dados. Assim, o artigo da empresa farmacêutica é considerado um trabalho independente de um pesquisador prestigiado. Esse tipo de publicação é bastante frequente na área de ciências da saúde e pode apresentar perigo para a população, com consequências legais atreladas. O caso do medicamento Vioxx, da Merck, associado a ataques cardíacos, é um famoso exemplo.

Mas então por que cientistas se envolvem nesses trabalhos? Para pesquisadores, a prática pode ser uma oportunidade para melhorar seu posicionamento profissional. Como , você recebe um artigo científico completo, contendo o seu nome, que será publicado em periódico de alto impacto. A frequência de publicações, assim como a colaboração com a indústria em si, aumenta o prestígio do cientista. Como resultado, há uma série de benefícios: visibilidade, promoção, viagens, palestras em conferências e, muitas vezes, subsídios adicionais.

e já foi observado que pesquisadores sêniores podem ter dificuldade para escrever um texto claro e compreensível. Revistas renomadas rejeitam manuscritos importantes uma vez que a organização do conteúdo, compreensão do inglês e gramática são insatisfatórias. Falta de tempo também pode ser um problema. Muitos cientistas realmente se esforçam para conseguir publicar seus dados e, no cenário atual de “publicar ou perecer”, publicar o trabalho o mais cedo possível é importante. Médicos, por exemplo, principalmente em países em desenvolvimento, além da participação em pesquisas costumam ter uma grande carga de trabalho clínico.

Para evitar o ghostwriting e facilitar a redação de artigos científicos, listamos aqui algumas ferramentas úteis.

  • Trinka AI

Trinka AI é o assistente de escrita mais novo no mercado. Essa ferramenta foi desenvolvida especificamente para aprimorar a escrita em inglês e verificar termos técnicos usados em manuscritos antes de você publicá-los. O grande diferencial para estudantes e acadêmicos está nos recursos voltados para a revisão de textos científicos, como teses e artigos. O Trinka AI permite que você selecione a sua área de pesquisa e receba correções de linguística técnica obtidas por inteligência artificial que são relevantes para esse campo de estudo, além de oferecer checklists para publicação incluindo referências, conformidade ética e escopo do periódico.

  • Enago’s plagiarism checker

A ferramenta Enago plagiarism checker faz parte do software AuthorONE e usa algoritmos avançados de detecção de similaridade de texto, em parceria com o Turnitin, para verificação de plágio. Ele tem o maior banco de dados da Internet, com mais de 91 bilhões de páginas da web, e mais de 82 milhões de artigos acadêmicos. Ele fornece um relatório abrangente contendo uma pontuação de porcentagem de plágio e um sistema codificado por cores que mostra  como o seu artigo é semelhante em comparação com os artigos publicados. Outro recurso importante dessa ferramenta é a verificação de erros gramaticais em seu artigo e a sugestão de melhorias na redação com tecnologia de inteligência artificial. Você pode baixar o relatório com as alterações e usar o Microsoft Word para revisar as sugestões.

  • Trello

O Trello é um aplicativo de gerenciamento de projetos. Ele rastreia trabalhos de equipe, destacando tarefas e fornecendo detalhes da conclusão de cada uma. Além disso, permite ao usuário listar e agendar atividades, fornecer prazos e mostrar o andamento de projetos. O usuário pode criar vários cartões para diferentes tarefas.

  • Scopus

O Scopus é uma base de dados multidisciplinar que cobre a literatura acadêmica de quase todas as disciplinas, com acesso baseado em assinaturas. Lançado em 2004 como um serviço da Elsevier, afirma ser “o maior banco de dados de resumos e citações da literatura com revisão por pares”, incluindo mais de 19.000 títulos de 5.000 mil editoras. Além de periódicos revisados por pares, o Scopus também indexa artigos de periódicos comerciais, livros, registros de patentes, publicações de conferências e páginas acadêmicas da web, com cobertura de 1996 até o presente, salvo poucas exceções.

  • Mendeley

O Mendeley Reference Manager é um aplicativo gratuito para web e desktop que ajuda a simplificar o fluxo de trabalho de gerenciamento de referências. Ele possibilita que você armazene, organize e pesquise todas as suas referências em apenas uma biblioteca. Com o Mendeley Cite, você também pode inserir referências em documentos do Microsoft Word.

  • Serviços de revisão

Serviços de revisão também aumentam a qualidade do manuscrito, assim como suas chances de publicação. Pode ser uma alternativa interessante para pesquisadores ocupados com pouco tempo para fazer revisões. A Enago dá suporte completo aos pesquisadores para publicações, com mais de 3.000 editores em todo o mundo, e profissionais e tradutores especializados. Os serviços incluem:

Revisão por pares

O serviço fornece uma análise feita por revisores por pares experientes na sua área de conhecimento e que trabalham em revistas especializadas. Oferece uma vantagem competitiva, proporcionando apoio técnico com relação a todos os elementos do seu manuscrito. Mesmo antes de submeter seu estudo a uma revista, os revisores irão relatar detalhadamente os problemas encontrados em seu texto e dar conselhos sobre como solucioná-los.

Edição e formatação

Cada revista acadêmica tem uma exigência específica e seu próprio estilo de texto, figuras, tabelas e referências. O serviço de edição e formatação verifica os requerimentos de formatação de uma determinada revista e revisa a linguagem, certificando-se de que seu manuscrito siga todas as normas e esteja e livre de erros.

Edição de imagens

A maioria das revistas internacionais têm exigências rigorosas e específicas para a publicação de imagens. Muitas dessas diretrizes demandam conhecimento técnico. O serviço oferecido pela Enago, edita as imagens para garantir que elas cumpram com os requisitos do periódico, além de fornecer um relatório completo detalhando todas as alterações feitas em suas figuras.

 

E agora? Ficou mais fácil escrever o manuscrito? Conta pra gente nos comentários!

 

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As ferramentas mais recomendadas para a criação de mapas de literatura https://www.enago.com/academy/br/literature-mapping-tools-for-researchers/ https://www.enago.com/academy/br/literature-mapping-tools-for-researchers/#respond Wed, 22 Dec 2021 09:17:27 +0000 https://www.enago.com/academy/br/?p=33147 This article is also available in: English, Turkish, Spanish, and Russian

Uma das partes mais importantes na pesquisa científica é a construção da bibliografia para uma determinada área de conhecimento. Neste processo, a revisão da literatura tem que ser um processo sistemático para selecionar e interpretar artigos científicos que melhor se relacionam a natureza do tema de pesquisa.

A construção do conhecimento é iterativa e cumulativa, e o crescente volume de estudos publicados nos últimos 20 anos dificulta identificar e organizar as informações pertinentes a um determinado tema de pesquisa, tornando a construção bibliográfica uma tarefa extremamente longa e trabalhosa.

Mesmo com a utilização de ferramentas online que fazem buscas de artigos utilizando-se de palavras-chave, como o PubMed e o Google Scholar, o levantamento bibliográfico pode ser difícil. Frequentemente, durante a procura por palavras-chave, obtemos centenas ou milhares de artigos associados a pesquisa, sendo estes artigos não necessariamente os mais relevantes ao tema de pesquisa.

Assim, uma das soluções para resolver esses problemas e ajudar pesquisadores a construir elaboradas listas bibliográficas, foi o desenvolvimento de mapas de literatura.

O que é o mapeamento de literatura?

O mapeamento de literatura é o processo de criação de uma representação diagramática e visual para descrever a bibliografia referente ao tema de pesquisa estudado. Geralmente, um mapeamento de literatura correlaciona os diversos artigos de uma mesma área de estudo através de suas proximidade e similaridade.

No mapeamento bibliográfico, uma rede de artigos é representada através de nós conectados por arestas. Normalmente, o mapa bibliográfico mostra cada nó da rede com diferentes tamanhos, representando o número de citações do artigo correspondente. As arestas, por sua vez, representam a relação de citações que interligam os artigos mapeados, sendo que nós maiores tendem a possuir uma maior quantidade de arestas.

A vantagem do mapa bibliográfico é a fácil visualização de artigos centrais a tese proposta, isso porque cada um dos trabalhos representados mostra o quão bem citado ele é. Além disso, a construção de um mapa de literatura ajuda a organizar suas ideias, a investigar os principais problemas e descobertas no seu campo de pesquisa, e entender como os diferentes artigos se correlacionam através de descobertas similares.

A seguir, vamos listar algumas das ferramentas mais utilizadas para a criação de mapas de bibliografia e descrever suas características:

Open Knowledge Maps (OKMaps)

O OKMaps é uma ferramenta que utiliza palavras-chave para buscar os artigos mais relevantes em bancos de dados contendo mais de 28 milhões de publicações. A paritr desta busca, ele constrói um mapa bibliográfico com artigos relacionados, fornecendo uma interface visual para as tradicionais buscas por artigos que se utilizam de palavras-chave. É uma ferramenta poderosa que permite a rápida atualização de pesquisadores em temas em alta e identifica na literatura as descobertas científicas mais recorrentes e confiáveis.

Entretanto, uma desvantagem do OKMaps é a utilização de palavras-chave para a realização da pesquisa. Assim, se o usuário pesquisar por um tópico utilizando palavras-chave que não sejam precisas, o mapa bibliográfico resultante pode não ser o mais fidedigno ao tema de interesse.

Para solucionar tal problema, outras ferramentas de criação de mapas bibliográficos se aperfeiçoaram para utilizar artigos como entrada de pesquisa, ao invés de palavras-chave. A vantagem destas ferramentas é a possibilidade de basear a pesquisa e a construção do mapa bibliográfico em um ou mais artigos de referência. A seguir apresentamos alguns exemplos de ferramentas que produzem mapas bibliográficos a partir de artigos publicados.

Connected Papers

Connected Papers é uma ferramenta simples e eficiente que permite a construção de mapas bibliográficos utilizando um artigo científico como referência de busca. Nele, um mapa bibliográfico é automaticamente gerado contendo cerca de 25 artigos que mais relacionam ao artigo original utilizado na pesquisa.

Interessantemente, o Connected Papers cria uma rede de artigos não baseado em citações, mas nas correlações entre as referências bibliográficas dos artigos apresentados. Esta lógica busca construir um mapa bibliográfico baseado na similaridade de referências, incluindo também aquelas mais comumente citadas na literatura.

Uma dica aqui é a construção do mapa bibliográfico utilizando um bom artigo de revisão como referência para realizar a busca. Desta maneira, os trabalhos mais importantes do tópico em questão estarão presentes em seu mapa bibliográfico.

INCITEFUL

Inciteful é uma ferramenta que realiza buscas de forma similar ao Connected Papers. Entretanto, ao invés de utilizar apenas um artigo relevante como referência de busca, a ferramenta Inciteful permite a construção de mapas bibliográficos utilizando múltiplos trabalhos como referência para a busca.

É claro que, se você possuir apenas um artigo relevante, sua busca poderá ser realizada da mesma maneira. Entretanto, aqui entra uma vantagem da utilização do Inciteful para a construção de mapas mais sofisticados: os artigos de um mapa inicial resultante de uma busca usando um artigo relevante como referência podem ser utilizados para refinar uma segunda busca. Assim, mapas iterativos podem ser criados utilizando o artigo central original e também os artigos resultantes do primeiro mapa que o usuário julgar mais relevantes ao tópico. Após duas rodadas iterativas de construção de mapas bibliográficos, o usuário certamente terá um resultado muito mais refinado e centrado no tema de interesse, contendo os artigos mais importantes na área.

Além disso, a busca bibliográfica utilizando o Inciteful também produz listas de artigos com maior similaridade bibliográfica, dos artigos mais importantes presentes no mapa de acordo com sua citação, os trabalhos mais recentes dos top 100 autores relacionados ao tema buscado, e os artigos recentes mais importantes. Importante ressaltar que esses resultados podem ser ainda filtrados por palavras-chave, tornando Inciteful uma poderosa ferramenta na construção de mapas bibliográficos.

Conclusão

O árduo processo de levantamento bibliográfico pode ser amplamente facilitado através da construção de mapas bibliográficos. A utilização de ferramentas modernas de inteligência artificial para a construção dos mapas bibliográficos pode trazer grandes vantagens aos pesquisadores como, por exemplo, rapidamente identificar os artigos mais relevantes e encontrar mais facilmente artigos correlacionados. Estas ferramentas podem também proporcionar clareza na visualização do tema de estudo e ajudar na organização das idéias e da literatura do campo estudado. Sendo assim, todo pesquisador deveria considerar a utilização dessas ferramentas para a construção de mapas bibliográficos durante suas pesquisas.

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