Tradução reversa: Um método ainda pouco conhecido preferido pela medicina

16 July 2014  |  Postado em Tire suas dúvidas, Versão e Tradução de Artigos   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

A tradução reversa, ou back translation, é uma modalidade de tradução consideravelmente recente e, por isso, ainda não muito compreendida por muitas pessoas. Tal metodologia pode ser entendida como um processo de checagem que completa a tradução convencional, incluindo em torno de três etapas:

(1) retro tradução;
(2) comparação e; possivelmente,
(3) adaptações finais.

Para entender melhor o processo como um todo, imagine que você quer traduzir um documento do português para o inglês. Caso seja aplicada a back translation, vai funcionar assim:

  • Tradução convencional: um tradutor A realizará a tradução inicial para o inglês, criando um segundo manuscrito;
  • Etapa 1 da tradução reversa: um tradutor B vai pegar esse manuscrito e o retraduzirá para o português, gerando um terceiro documento;
  • Etapa 2 da tradução reversa: o documento original (criado em português) e o terceiro documento serão comparados.

Se houver uma correspondência entre ambos, significa que a tradução realizada pelo tradutor A está coerente, então o segundo manuscrito criado por ele será compreendido como a versão final. No entanto, havendo grandes discrepâncias entre os documentos um e três, serão necessárias adaptações na tradução e/ou na retro tradução – o que caracterizaria a etapa 3.

Dependendo do grau de exigência da precisão do resultado das traduções, essas quatro etapas podem incluir mais de um tradutor e, assim, originarem sub etapas de conferência e validação interna para cada etapa.

Por envolver diversas fases e pessoas, a tradução reversa tende a ser mais demorada e custosa do que a tradução convencional isoladamente. Mas então por que usá-la?
As etapas envolvidas no processo de tradução reversa se complementam para eliminar as possíveis falhas dos tradutores, trazendo mais qualidade para a tradução. O resultado final é um manuscrito inegavelmente mais confiável e fiel ao arquivo original.

Portanto, essa nova forma de tradução é cada vez mais utilizada e até mesmo requerida em determinadas áreas do conhecimento. Na academia, por exemplo, muitos pesquisadores que precisam realizar traduções de estudos de ciência física optam pela back translation para garantir maior consistência das informações em todas as versões linguísticas das suas pesquisas.

Na medicina, esse método vem sendo indicado pela OMT – Organização Mundial da Saúde – como uma boa prática para traduções médicas. De acordo com Brislin (1970, 1986), tanto a OMT quanto outros organismos médicos internacionais veem a tradução reversa como um mecanismo altamente favorável para traduções de diagnósticos, questionários internos, levantamento de dados e demais instrumentos de pesquisa. A tradução de ensaios clínicos também poderia ser acrescentada a essa lista, possibilitando assim um conjunto de fontes de informação comparáveis e disponíveis para acesso em âmbito mundial no quesito saúde.

Quando são realizadas apenas traduções de primeiro nível – processo em que um único tradutor reescreve determinado texto em outra língua –, há grandes riscos de o tradutor interpretar alguma informação errada. A back translation elimina a possibilidade de esse tipo de erro ser transferido para o documento final, uma vez que permite a identificação das diferenças entre o documento traduzido e o original.

Assim, fica fácil perceber que, sem a tradução reversa, é como se o processo de tradução não estivesse completo. Esse é o motivo pelo qual a técnica é fortemente indicada para traduções que requerem concisão e confiabilidade.

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