Qual deve ser a frequência de publicação?

Cronometro-600x320Atualmente, os níveis de exigência quanto ao número de publicações científicas têm aumentado cada vez mais, seguindo sempre a máxima do “publicar ou perecer”. A publicação é a vitrine, o portfólio de um pesquisador, sem ela é como se não houvesse produção.

Evidentemente, a qualidade do material é tão importante quanto a quantidade e não podemos desconsiderar que certas áreas de pesquisa são complexas e não geram resultados com tanta velocidade. Outro aspecto importante é o “mais do mesmo” – publicação de resultados que soam como repetitivos, uma prática que deve ser evitada.

O fato é que, na prática, a produção é essencial para a carreira do pesquisador e quem avalia essa questão deve manter o bom senso, relacionando a quantidade e a qualidade dos conteúdos.

Considerando a frequência de publicação científica, pode ser relevante pensarmos em algumas questões:

QUAL A REFERÊNCIA?

  • Harper Lee, autora do clássico literário To Kill A Mocking Bird (O Sol é para Todos), escreveu e publicou apenas dois livros em sua vida.
  • O escritor de ficção científica Isaac Asimov, por outro lado, publicou mais de 400 obras.

A RESPOSTA MAIS ÓBVIA

  • Sobre o questionamento a respeito da frequência de publicação ideal, seu supervisor ou orientador de pesquisa poderia responder “Publique tanto quanto possível”.
  • No entanto, o acúmulo de artigos não deve ser a razão pela qual você está publicando. Seguindo os princípios éticos e científicos, podemos dizer que a publicação é uma forma de contribuir com a ciência. Se não houver contribuição, ainda que modesta, não haverá necessidade de publicar.

MUDANÇAS E OPORTUNIDADES

  • A pressão por “publicar ou perecer” gerou uma alta taxa de rejeição por boa parte das revistas acadêmicas, que diante de um grande volume de submissões, viram a oportunidade de aperfeiçoar suas diretrizes, aumentando os níveis de exigência e melhorando o prestígio de suas publicações.
  • A publicação de acesso aberto é um tema muito discutido atualmente. A ideia é que o pesquisador publique o trabalho em qualquer periódico com base na taxa de processamento de artigo (Article Processing Fee – APF). Uma vez que o artigo possua acesso livre para o leitor, maiores serão as chances de que o trabalho seja visto e discutido pelos pares.
  • Apesar dos maiores níveis de exigência, ainda há um grande número de revistas predatórias. Nesses casos, o pesquisador paga uma determinada quantia e o artigo é aceito quase que automaticamente. O processo de revisão desse tipo de periódico é extremamente questionável e a revista não conquista grandes níveis de prestígio na área, o que será ruim tanto para o pesquisador quanto para a ciência.

A DIVISÃO DO CONTEÚDO

  • Dividir os dados coletados em diferentes partes e escrever artigos variados para aumentar o número de publicações é uma tendência.
  • Cada parte de um conjunto de dados pode ser considerada menos publicável e essa estratégia é condenada por boa parte dos pesquisadores. Desse modo, espera-se que esse tipo de artigo seja rejeitado automaticamente.

NÃO EXISTE UM NÚMERO MÁGICO

  • Pesquisa acadêmica não é sinônimo de quantidade e frequência de publicação. Antes de tudo, o trabalho precisa ser relevante, de modo que dois artigos inovadores serão mais valiosos do que dez artigos “tradicionais”.
  • Para que o seu trabalho seja reconhecido internacionalmente, ele precisa obedecer a certos critérios de qualidade que precisam ser considerados já no início da pesquisa. Segundo os professores Gilson Volpato e Rodrigo Barreto no livro “Elabore Projetos Científicos Competitivos”, o primeiro item a observar é o nível de novidade da pergunta de pesquisa. Quanto mais original, mais impacto ela terá na sua área.
  • O segundo aspecto é a metodologia, que precisa ser robusta e atual. Ler bons trabalhos da área é uma maneira eficiente de determinar as metodologias mais adotadas por bons cientistas e os resultados esperados por cada uma delas.
  • O terceiro item corresponde aos resultados, que precisam ser evidentes. Não dá para espremer os dados se a metodologia não foi escolhida de modo apropriado. Os resultados evidentes são consequência dos dois primeiros aspectos.
  • O quarto requisito trata da apresentação do trabalho. O artigo deve ser claro e objetivo, tornando a pesquisa inteligível para profissionais de diferentes áreas e atrativa para os periódicos de interesse.
  • Persiga essas etapas e o seu trabalho certamente se aperfeiçoará. De modo que com o passar do tempo, a quantidade já nem seja tão considerada por você.
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