Qual a diferença entre colaboração e coautoria?

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Nos últimos anos, a publicação deixou de ser uma consequência do fazer científico e se transformou em uma obrigação com rígidos padrões de periodicidade. Não por acaso, a coautoria se tornou uma tendência, passando de em média três autores por trabalho para números cada vez maiores de participantes. Esse aumento pode gerar confusões quanto à responsabilidade de cada autor em relação ao conteúdo apresentado. Porém, mais importante que classificar a participação, é saber no que ela implica.

As camadas da autoria

Em trabalhos que incluem de três a quatro membros, pode ser mais fácil definir as diferentes contribuições para o artigo. Nesses casos, o texto terá um autor principal e os demais serão coautores. Acima desse número, será mais complicado determinar a participação de cada um, pois não há regras claras para a atribuição de coautoria.

O trabalho costuma ser assinado considerando inicialmente a especialidade ou o cargo de cada participante. Desse modo, um membro pode se destacar em função de seu prestígio, uma vez que a presença desse tipo de pesquisador como autor principal poderá aumentar as chances de publicação em um periódico de renome. No mais, costuma-se atribuir a coautoria apenas aos que contribuíram efetivamente para o desenvolvimento do estudo, ajudando na coleta de dados e participando ativamente da construção e interpretação dos resultados.

O Código de Boas Práticas Científicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) atesta essa delimitação, definindo como parâmetro para autoria apenas as contribuições intelectuais diretas ao trabalho, sendo excluídos dessa categoria o fornecimento de recursos financeiros e estruturais. Além desse aspecto, o Guia de Recomendações de Práticas Responsáveis da Academia Brasileira de Ciências (ABC) também descarta dessa relação a supervisão de um grupo de pesquisa e a edição do texto como condições para a determinação de coautoria.

Para pesquisadores iniciantes, aparecer como colaborador em um artigo pode parecer desinteressante, mas caberá ao cientista melhorar a sua participação para cooperar de modo mais efetivo em trabalhos futuros.

A maior clareza para a definição de coautoria em contraposição à flexibilidade para determinar o papel de colaborador podem gerar abusos de poder e má conduta científica, podendo ocorrer, por exemplo, uma pressão para incluir como colaboradores, nomes que nada contribuíram para o estudo. Essa imposição poderia acontecer por parte de periódicos ou até de hierarquias institucionais.

Responsabilidades dos autores

A coautoria e a colaboração facilitam a entrada de novos pesquisadores ao mundo das publicações. O problema é que dividir a autoria de um estudo exige comprometimento. Todos os membros serão responsabilizados pelo conteúdo, seja ele um destaque na área ou uma fraude acadêmica.

Um aspecto que deve ser esclarecido é a atribuição de cada autor. Por exemplo: como serão divididas as taxas de publicação? Se forem solicitadas revisões no material, quem será o responsável por elas? Surge aí a necessidade de um acordo por escrito, no qual fiquem estabelecidas as responsabilidades de cada um. Além de identificar os coautores e os colaboradores, esse tipo de documento poderá evitar possíveis conflitos de interesse que possam surgir após a publicação.

Com o aumento do número de artigos produzidos em coautoria, os comitês de avaliação já estão exigindo descrições detalhadas sobre a participação de cada colaborador a fim de evitar casos de má conduta. Mas ainda que o acordo não seja uma imposição da revista, ele poderá evitar desentendimentos futuros, facilitando a tomada de decisões.

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