Coautoria e cooperação internacional em artigos científicos

03 May 2013  |  Postado em Produção Científica Mundial   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

A concepção de que as ligações intelectuais entre as ideias dos cientistas se estabelecem através de relações sociais foi defendida por Ziman em 1968, quando o autor publicou seu ensaio sobre a dimensão social da ciência. Assim, para compreender a produção e o uso do conhecimento científico é preciso observar a maneira como os cientistas se comportam, se relacionam, se organizam e como transmitem informações entre si. Sob esta perspectiva pode-se afirmar que até certo ponto o avanço da Ciência depende da interação entre os cientistas.

A palavra “colaboração” tem origem no latim – collaborare – e é definida como “cooperação, ajuda, auxílio, participação em obra alheia […] ideia que contribui para a realização de algo” (HOUAISS, 2001, p.97). O conceito é amplo e, em se tratando de colaboração científica, não existe um consenso entre a comunidade sobre como considerar o auxílio prestado por outra pessoa. A cooperação internacional científica tem sido definida como dois ou mais cientistas trabalhando juntos em um projeto de pesquisa, compartilhando recursos intelectuais, econômicos e/ou físicos.

A cooperação internacional em artigos científicos compreende uma atividade de longa tradição. O efeito da coautoria no impacto dos artigos originados no Brasil foi analisado por pesquisadores e verificou-se que entre os artigos publicados, aqueles com coautores internacionais receberam 72% mais citações do que os sem coautores internacionais.

Pelo exposto, urge desenvolver instrumentos de fomento para estimular e apoiar o estabelecimento de mais colaborações internacionais para a ciência brasileira. O CNPq e a Capes têm programas tradicionais para esta finalidade, bem como têm desenvolvido acordos internacionais importantes. É importante oferecer meios e incentivar uma atitude mais ousada e agressiva na busca de interações por parte da comunidade científica. A qualidade de muitos projetos de pesquisa em andamento no país justifica tal agressividade na busca de pós-doutores, alunos de pós-graduação e visitantes temporários. Para isso, há instrumentos já disponíveis, e é necessário mais ênfase para se dar publicidade às oportunidades disponíveis, por meio de anúncios nas revistas internacionais relevantes na área, além da tradicional comunicação pessoal em redes de pesquisadores destacados.

No que diz respeito a projetos de pesquisa colaborativos, há duas iniciativas complementares. Primeiro, para que os pesquisadores em possam iniciar colaborações e preparar projetos de médio e grande porte com colegas de outros países, a FAPESP tem estabelecido acordos com várias universidades e instituições de pesquisa no estrangeiro, em países como Reino Unido, França e Holanda. Esses acordos permitem também o intercâmbio de estudantes. Em segundo lugar, acordos com agências de financiamento à pesquisa do Reino Unido, França, Alemanha, Dinamarca, Argentina e Portugal garantem a oportunidade para a submissão de propostas completas de pesquisas.

Por conta de ser um tema difícil para os pesquisadores, muitos buscam o auxílio de empresas especializadas, as quais oferecem serviços de revisão de inglês para artigos acadêmicos e científicos e serviços de auxílio à publicação científica.

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