Como se tornar um bom pesquisador?

18 November 2016  |  Postado em Dicas para Autores, Produção Científica Mundial, Textos Acadêmicos   |  Sem Comentário  |  Faça um Comentário

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Como em qualquer outra área, um bom pesquisador precisa primeiramente gostar do que faz, só assim ele se sentirá motivado para se aprimorar constantemente.

A profissão pode até exigir um pouco mais de disciplina e de paciência, mas a maioria dos desafios se baseia na escassez de recursos, na saturação do mercado e na necessidade de sempre desenvolver trabalhos relevantes. A seguir, listamos alguns dos desafios que o pesquisador precisa superar para alcançar um nível de excelência.

Conquistar financiamentos

Sem financiamento, a produção de conhecimento de qualidade se torna ainda mais difícil, uma vez que o cientista precisa de suporte para dedicar boa parte de seu tempo à investigação.

A falta de recursos pode fazer então com que muitas pesquisas se tornem inviáveis. O Brasil tem vivido esse drama nos últimos anos. Com a constante redução do orçamento destinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), as agências de financiamento tiveram que suspender boa parte de seus editais, ficando sem recursos até para custear projetos que já foram aprovados. Com os últimos acontecimentos, muitos bolsistas tiveram que recorrer a outras fontes de renda para prosseguir em suas investigações e até para se sustentar – o bolsista precisa se dedicar exclusivamente à pesquisa, não podendo ser admitido em nenhum outro emprego. Se não recebe a bolsa, ele fica completamente desamparado.

Publicar em bons periódicos

Publicar em boas revistas normalmente exige um bom investimento financeiro. Há periódicos que cobram para que o autor publique, outros exigem pagamento apenas no caso de o autor querer disponibilizar o artigo para o público em geral (o pesquisador paga para que o leitor não precise pagar), há também os que recebem o pagamento do autor e do leitor. Revistas como as do grupo Nature, por exemplo, podem cobrar mais de 4 mil dólares pela publicação de um único artigo. O cientista sem financiamento fica incapaz de submeter seu trabalho a um periódico como esse.

O lado bom é que hoje o pesquisador já pode disponibilizar seus trabalhos em um repositório. Geralmente, os profissionais submetem o artigo para uma revista e ao mesmo tempo oferecem uma versão menos aprimorada do arquivo para que os leitores possam acessar livremente. Essa estratégia aumenta a visibilidade da pesquisa, pois quando o trabalho é aceito para publicação, ele já foi visto, compartilhado e discutido pela comunidade.

Há dois principais tipos de repositório: o temático e o institucional. O primeiro reúne arquivos de acordo com a área de conhecimento, entre os mais conhecidos dessa categoria estão o arXiv e o PubMed Central. O segundo é mantido por instituições de pesquisa, de modo que o conhecimento produzido por cada uma delas seja preservado.

Outro aspecto necessário para a publicação em revistas de destaque é a originalidade do trabalho. Nesse tipo de periódico, é preciso apresentar uma ideia original com metodologia bem estruturada. Como as revistas de maior prestígio são consideradas mais confiáveis, acabam sendo as mais acessadas pela comunidade. Isso faz com que a maioria dos pesquisadores tente publicar nelas, aumentando assim a concorrência. No final, o cientista precisa superar a si mesmo em cada projeto e se destacar entre os demais profissionais.

Encontrar boas oportunidades de trabalho

No Brasil, a área da educação é a que mais emprega doutores. Como grande parte da pesquisa produzida no país é financiada pelo governo, a maioria dos cientistas se torna professor em universidades públicas para desenvolver seus projetos. O problema é que com os cortes no orçamento destinado à ciência e à educação, os editais praticamente se esgotaram. Ao mesmo tempo, há uma concorrência muito maior pelas poucas vagas. Esse pode ser um bom momento para que o cientista analise o mercado. Apesar das dificuldades, o Brasil também tem instituições privadas que se dedicam à pesquisa. Nesse meio, os financiamentos podem ser maiores, garantindo maior estabilidade ao desenvolvimento dos projetos.

Estabelecer parcerias

Além de publicar em bons periódicos, o pesquisador precisa participar de eventos e conhecer seus pares. Isso garante que o cientista se mantenha atualizado sobre as novidades da área, podendo estabelecer futuras parcerias. Pesquisas colaborativas podem ganhar maior relevância, já que permitem o desenvolvimento de trabalhos mais aprofundados, que possam interessar a um número maior de pessoas. Além de eventos presenciais, a interação por meio de páginas temáticas ou de redes sociais acadêmicas pode ser uma forma ainda mais prática de conhecer profissionais que tenham os mesmos interesses de pesquisa.

Desafiar-se

O maior desafio para se tornar um pesquisador bem-sucedido é o aprimoramento constante. Ideias originais surgem com a atualização e com o estudo contínuo. Como tendem a ir além dos trabalhos mais “tradicionais”, elas podem gerar grandes contribuições. Ao contrário, a acomodação pode fazer com que o pesquisador desenvolva um excesso de autoconfiança. Isso poderá torná-lo negligente e deixá-lo com a impressão de que não resta mais nada a aprender.

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