Administrando o excesso de informação

0211_overload-informationManter-se informado e atualizado é fundamental no mundo acadêmico e neste sentido as novas tecnologias são de enorme ajuda. Se antes era possível atualizar-se apenas através das novidades que chegavam às bibliotecas e indo a eventos científicos, atualmente tudo parece estar à disposição num estalar de dedos: basta conectar-se à internet e com poucos toques têm-se acesso às mais recentes descobertas científicas de todas as áreas e de qualquer lugar do mundo.

Mas o rápido avanço tecnológico trouxe além de conveniência um certo grau de estresse, o estresse causado pelo excesso de informação e a necessidade acompanhá-la. E-mails, mídias sociais, feeds, mensagens instantâneas, sites que se  que atualizam a todo instante: o fluxo é contínuo e ininterrupto, o que faz com que pesquisadores interrompam seu trabalho constantemente para acompanhá-lo. Mas pior que o problema da falta de tempo para acompanhar tanta informação, é o problema da falta de filtros. Diante de tantas fontes, como saber quais são confiáveis?

O perigo da falta de filtros

A internet e sua popularização trouxe consigo a realidade da pulverização dos polos de produção de conteúdo – antes concentrados nas mãos de fontes oficiais – e, com isso, entramos na era do excesso de informação. Uma vez que todos com acesso à internet podem utilizar-se dos mais diversos canais para disponibilizar conteúdo (e muitas vezes gratuitamente), a noção de fonte oficial e sua confiabilidade tornou-se nebulosa. Atualmente, sabe-se que até mesmo os sofisticados mecanismos de busca do Google são manipulados de modo a aferir destaque a conteúdos de fontes não muito confiáveis ou úteis, logo, é preciso estar muito atento ao fazer uma pesquisa de conteúdo acadêmico diante da ausência de filtros seguros de qualidade no ambiente online.

Embora ferramentas de busca como o Google e de outras empresas possuam regras para veiculação de conteúdo e rankeamento de páginas, muitos indivíduos e empresas se utilizam de meios escusos – as chamadas técnicas black hat – para trapacearem e obterem melhor ranking. Isso significa dizer que, através de técnicas escusas de programação, proibidas pelas ferramentas de busca, é possível que páginas com conteúdo duvidoso ou irrelevante sejam bem promovidas, ainda que em verdade sejam pouco buscadas inicialmente. Isso significa dizer que ao buscar conteúdo sobre uma determinada área de conhecimento, o pesquisador pode deparar-se com uma pesquisa acadêmica que está no topo do ranking não porque seja muito relevante ou de grande interesse no momento, mas simplesmente porque manipularam o mecanismo de funcionamento da ferramenta de busca para evidenciar tal conteúdo.

Uma ferramenta que pode ajudar a filtrar conteúdo acadêmico é o Google Scholar, parte do Google voltada ao conteúdo acadêmico. O problema é que o Google destinado a acadêmicos possui alcance limitado em relação ao conteúdo do nicho, não acessando muitos bancos de artigos. Além disso, o Google Scholar não exclui de sua busca periódicos predatórios – que publicam qualquer pesquisa acadêmica mediante pagamento de taxas – e muitas vezes não faz distinção entre os periódicos que fazem uso de avaliação por pares daqueles que não fazem.

Como manter-se bem informado sem estresse

Maior que o trabalho e tempo investido verificando bem a origem do conteúdo encontrado na internet, é o estresse que pode ser gerado ao citar-se fontes pouco confiáveis, e o pior: ao iniciar novas pesquisas a partir de descobertas equivocadas de terceiros. Diante de um volume infindável de informação, certamente é impossível ler todos os trabalhos encontrados na íntegra, mas é possível sim fazer um levantamento de resumos e revisões e verificar a origem das publicações e o currículo de seus autores. Buscar conteúdo em bancos de artigos de instituições e periódicos confiáveis também é um bom caminho, tanto para iniciar uma nova pesquisa quanto para manter-se atualizado sobre as inovações mais relevantes em sua área.

Comece por estas fontes mais tradicionais e depois parta para outras, aí sim tendo mais cuidado com a origem do conteúdo e de seus autores. É preciso ser particularmente mais rigoroso com fontes provenientes de periódicos de livre acesso desconhecidos ou de autores pouco conhecidos e qualquer conteúdo não publicado em meios acadêmicos oficiais. Muitas vezes estes conteúdos podem ser fruto de plágio ou serem baseados em dados equivocados, por isso mesmo deve-se ter muita cautela diante deles.

A melhor forma de prevenir-se de conteúdos duvidosos é desenvolver em nível pessoal técnicas de busca cada vez mais sofisticadas de busca online. Ainda que as dicas gerais oferecidas aqui possam ser de ajuda, cabe ao pesquisador descobrir quais as fontes e caminhos online mais confiáveis para buscar conteúdo, visto que o panorama de fontes na rede muda constantemente. Para o futuro, faz-se necessário o desenvolvimento de ferramentas e técnicas de busca mais adequadas ao meio acadêmico, uma vez que pesquisadores precisam triar uma quantidade gigantescas de materiais num universo crescente de polos produtores de conteúdo.

 

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